A maneira de enxergar as coisas que se passa em nossas vidas pode mudar de ótica, dependendo do ponto de vista da pessoa. Tudo começa como novo: você finalmente encontrou alguém que tenha todas as qualidades que você procura, todos os defeitos suportáveis de acordo com teus próprios defeitos e uma ligação repleta de sintonia e afinidades. Até que, como num rajar de fogo brando, tudo que parecia encanto desmoronou em fração de segundos.
Para alguns, a mudança repentina não tem explicita resposta – por mais que questionamentos sejam feitos, nenhuma indagação pode afirmar com precisão o que realmente acontece. Aparentemente, todas as respostas eram encontradas em apenas se sentir bem com tamanha simplicidade nas coisas; na afeição por um outro ser que só de te olhar te faz sorrir… e hoje esse olhar se transformou em preocupação.
O que evidencia diante de tal fato é o medo de ser feliz. Temor de perder algo que já tem e sempre terá; talvez enxergar algo novo que realmente te tire da condição acomodada que hoje está, a qual não te agrega nada. Cegar-se a ponto de não encontrar as respostas que sempre procurou… o medo de voltar a viver um pesadelo que nós mesmos deixamos acontecer, esquecendo que quem não arrisca, para na vida.
É difícil de se entender, no meio desses prazeres mundanos que os dias atuais oferecem, que o segredo da felicidade está nas coisas simples que aparecem nas nossas vidas – nada é em vão, nada é coincidência. O que pode parecer remédio para as dores d’alma sem o menor esforço de assim ser, torna-se um nada diante dos prazeres da carne que os seres humanos se entregam de corpo e não de alma. Hoje, a ilusão da felicidade encontra-se, nada mais, nada menos, na efemeridade terrena, nos passos longos e sem rumo, em aproveitar somente o que o desejo pede…mas, e o coração?
O coração é sempre aquele considerado como “o marido traído”. Taxado de burro, ignorante, leviano… entre outros adjetivos que só fazem os seus donos esquecerem que ele fala por si só. Para os modernos, não há quem possa fazer com que o coração se liberte da redoma ou da prisão ao qual a maioria das pessoas o trancam e jogam a chave no bueiro. Não vale mais a pena sorrir para o próximo, corresponder uma gentileza, olhar o nascer do sol (porque o cair dele não nos faz levantar mais cedo para assistir). A comodidade sentimental do ser humano tornou-se tão igual à comodidade de reparar na simplicidade das coisas.
Não saímos mais pra dançar, saímos para encontrar o passatempo da noite. Não nos aproximamos para conhecer melhor a pessoa, saber de seus valores e ideais – queremos só o prazer pré-disposto. Não sentimos a brisa nos nossos rostos porque andamos com os vidros fechados e não acreditamos mais nas pessoas porque andamos com os olhos e o coração adormecidos…
Vamos então encher a cara, porque a curtição da vida é se esquecer dela!