S. Almendros
tomando nota.Arquivo para Julho, 2009
Contando primaveras
Aos exatos 13 dias do mês de julho, eu nasci. O ano era 1983. Dia mundial do Rock. Reza a lenda que minha mãe deu a luz em uma sexta-feira treze. E eu já comecei a dar trabalho logo no dia do parto – deixei minha mãe em coma, depois de uma cesariana um tanto complicada.Minha mãe diz que meu pai esperava pela ‘cria mulher’ desde o nascimento do meu irmão mais velho. Costumo brincar que quando eles nasceram, meu pai disse: ‘Droga, é um menino, bota o nome dessa porcaria de Sandro, vai!’. Aí nasceu o segundo: ‘ Menino de novo? Tá né? Poe o nome do infeliz de Alexandre…’. Claro que tudo isso é mentira. Fruto da minha imaginação. Essa que completa 26 anos. Mas o que não deixa de ser verdade é que desde o Sandro o nome Sheila já tinha sido escolhido. Não me pergunte porque. Meu pai adorava. Eu acho estranho. Sheila é um nome irlandês, ‘radicalizado’ na Austrália. Tanto é que Sheila lá na terra dos cangurus é como se fosse Maria aqui no Brasil…nome tão comum que até virou gíria. Mina na Austrália é Sheila. E eu não estou mentindo – reparem na placa do banheiro feminino do Outback…
Minha mãe sempre gatona. Depois do susto que eu dei nela quase matando a coitada, parece que ficou mais linda ainda. Pesquisando no google sobre os acontecimentos de 1983, me dei conta que muita desgraça aconteceu naquele ano. Morte de não sei quem, fulano de tal foi assassinado, o marido da Maria da Penha atirou nas costas dela (por isso a lei a qual defende mulheres de agressões dentro de casa). Espero que meu nascimento não tenha sido também uma desgraça. Mas, para limpar um pouco a mancha de sangue desse parágrafo, podemos contar que o primeiro álbum da Madonna foi lançado no mês de julho. Olha que legal!? Fui uma criança muito quieta. Uma tremenda caipira. Não falava com quase ninguém e vivia praticamente agarrada nas pernas do meu pai ou da minha mãe. Meu irmão mais velho sempre foi um tremendo companheiro na minha infância, e o do meio um capeta que infernizava a minha vida. Era só ver que minha mãe tinha feito dois rabos de cavalo nos meus cabelos, que ele grudava nas minhas costas e me fazia de ‘motoquinha’. ¬¬
Apesar de ter nascido em Sorocaba, me mudei de lá com menos de um ano. Mas fui criada mesmo em Guarulhos, Grande São Paulo. E lá eu morei em umas 200 casas, estudei em 300 escolas e fiz 400 amigos. E na época de escola que comecei a perder um pouco da caipiragem X timidez e fui aprendendo a aumentar o ‘network’ desde pequena. Dou graças a Deus por não ter nenhuma foto scaneada dessa época, pois eu era um verdadeiro filhotinho de cruz credo. O cabelo é do jeito que tua mãe gosta (e não você), seus dentes crescem mais que sua boca e só o meu nariz queria aparecer.
Precisamente nessa época eu morava em um condomínio legal próximo ao aeroporto chamado Parque CECAP. Nenhum adulto curtia morar lá, mas a criançada adorava! Eu vivia andando de bicicleta, brincava de Barbie no corredor com as minhas 1000 amigas, fechando o caminho para os moradores passarem de tanta coberta e brinquedo espalhados no chão. Um verdadeiro pardiêro! Fora as partidas de ‘rouba bandeira’ e afins que a gente jogava com aquela galera enorme, ou as turmas que se juntavam pra ficar dançando New Kids on The Block, todos com os passos ensaiados… em casa, costumava pegar a vassoura, amarrava uma bandana na cabeça, pegava o óculos de sol do meu irmão escondido e imitava o Axl Rose na sala. Até minha mãe pegar e eu morrer de vergonha…
E na adolescencia eu me mudei pra Arujá. Quase amarrada no capô do carro do meu pai, de tão contrariada. Senti uma grande diferença da qualidade de ensino da escola em que estudava em Guarulhos e a nova escola que minha mãe me matriculou. Mas mesmo assim, fiquei por lá até meu terceiro colegial. Comecei a ficar mais ajeitadinha, entrei pro coral da cidade e fiquei um bom tempo por lá, fazendo o que mais curti fazer em toda a minha vida – cantar. Ah, e pra não perder o costume, também fiz novos amigos.
Mas falando sério agora, desde a minha última foto com o canudo na mão (formatura do terceiro colegial) até hoje (estou quase com o canudo da faculdade na mão) senti que pouquissimas coisas mudaram. Na minha vida, eu digo, porque na minha personalidade muita coisa é diferente hoje. Como toda pessoa normal, tive meus capotes feios, daqueles que ralam os dois joelhos e deixam hematomas por uma eternidade, mas sempre tive na cabeça que o tempo corre depressa demais pra gente perde-lo lamentando o leite derramado. E acredito que isso fez com que hoje eu seja mais forte do que muita gente imagina. De frágil eu só tenho a aparência e o jeitinho de andar…
E de tudo e todas as coisas que aconteceram, das pessoas que chegaram e passaram, das que permaneceram, das que nem fizeram questão de fazerem a diferença e das que realmente fizeram, cada ano desses 26 tem algo a ver com todas: das mudanças, amadurecimento, aprendizado e uma série de coisas que a vida ensina a gente a lidar da melhor maneira possível.
E claro, os principais responsáveis por tudo – a família.

- O irmão encapetado (de azul) ficou gordo depois que casou com a Lu (que está do lado dele), minha mãe, meu anjo sem asas e minha maior inspiração, a sobrinha mais velha (canta Elvis que é uma beleza), meu pai, herói…Sandro, o mais velho e sua pequena Luana… a Vivian (esposa do Sandro) está ausente da foto (não, não foi ela quem tirou a foto, ela tinha ido trabalhar mesmo)…
E nessas, a gente acaba crescendo, já que não dá pra ser Peter Pan, assumimos responsabilidades, aquelas que víamos nossos pais lidando quando éramos pequenos… nos preocupamos em arranjar uma profissão, e manter-se durante toda a vida com ela. Os amigos também conquistam ideais, alguns ficam um pouco mais ambiciosos, outros menos, e o tempo se torna cada vez mais curto para que você possa aproveitar cada um deles.
Escolhi comunicar. Estou estudando (inutilmente ou não) para isso. E ainda estou na fase de conquistas – o estágio que tanto esperava, o freela na revista que cresceu lendo. Só aquela coisa toda de amor que ainda não conquistei. Mas também não é algo que tenha pressa para encontrar.
Pra finalizar, já que eu nasci e cresci na era do Atari, do Cara a Cara, do Viva a noite, do cabelo com permanente, do Pula Pirata, da Madonna, Hammer, Vanilla Ice, Guns’n Roses e Michael Jackson, farei um top 10 das músicas mais tocadas em 1983, segundo a revista Billboard. Engraçado que das 10, oito delas eu escuto desde então. Segue as versões que mais me convém, tá? O aniversário é meu, o blog é meu, e eu posto a música que eu quiser…
1º Billie Jean, Michael Jackson
6º Do you really want to hurt me, Culture Club
7º Come on eileen, Save Ferris
9º Africa, Toto
10º Back on the chain gaing, Danni Carlos
Os bárbaros do século XXI
Não é muito difícil de sacar que eu não sou fã de futebol. Basta ver o meu interesse por qualquer assunto que se destina à isso. Na verdade, quando se trata de fazer piadas, até entro na dança para tornar a tal indesejada conversa mais agradável – assim não fico sendo a senhora crítica chata desmerecedora do esporte mais adorado do País. Mas…lendo o blog de Felipe Andreoli sobre o episódio de ontem, me lembrei da principal causa que me faz ter distância do gosto ao futebol: o excesso de ignorância da maioria (leia-se MAIORIA e não TODOS) torcedores: independentemente do time, regionalidade ou o que seja.
Para quem não sabe, ontem o repórter do CQC mencionado acima foi cobrir a final de Inter X Corinthians lá no Sul. Não só ele, mas a equipe do programa (incluindo cinegrafista e produtor) foram recebidos com violência pelos torcedores do Inter no estádio. Quem acudiu os caras foi um segurança e alguns poucos torcedores do próprio Inter. Em pleno século XXI ainda damos de cara com situações pouco eloquentes dentro de um esporte que deveria ser sinônimo de festa, e não de fanatismo e violência.
Segundo Andreoli, nenhuma piada foi feita. Mas, com piadas ou sem piadas, o que eu acredito humilde e honestamente é que piada é respondida com outra piada, não com socos, latadas e dedadas. Ter humor é questão de inteligência e, em um país o qual lutamos arduamente pela liberdade de expressão, possuir cidadãos que não aprenderam a rir de si mesmos, só me faz pensar que em pleno século XXI, vivemos ainda na era dos Bárbaros. Eles sim tinham razões parar agirem com ignorância, pois não possuiam educação nem tão pouco informação. Hoje vivemos na era da tecnologia, da informação, da inclusão social, mas com alguns bárbaros que se recusam a serem adestrados para viverem em sociedade.
Não digo isso só pelo episódio de ontem. Não foi a primeira vez que isso aconteceu e infelizmente não será a última. Mas me revolta perceber que as pessoas insistem em retroceder ao invés de evoluirem.
A regionalidade e a defesa dela foi muito comentada pelos leitores do blog. E mais uma vez achei a pior besteira do mundo. A ignorância está presente em todos os Estados do Brasil, assim como em todos os outros países do planeta. Não se trata somente de sulistas agressores, e sim de seres humanos defensores da violência. E fico ainda mais abismada em ler pessoas defendendo tal atitude desonrosa porque ‘fulano fez por merecer’ ou ‘aqui em tal lugar o buraco é mais embaixo’… minha gente, cadê a sobriedade e a alegria do povo brasileiro aqui? É assim que seremos merecedores de sediar uma copa do mundo? Naaa não!
Ah! Só uma informação propagada: Paulistas, paulistanos e afins também fazem brincadeiras com paulistas, paulistanos e afins. Não se trata de regionalidade, se trata de SENSO DE HUMOR.
Link do Andreoli: http://felipeandreoliblog.blog.uol.com.br/




