S. Almendros


Envelhecendo no carnaval
fevereiro 22, 2009, 12:31 AM
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Elephant Gun, Beirut

Eu não faço parte de uma minoria que não gosta do carnaval. Na verdade eu ando conhecendo inúmeras pessoas que também sofrem desse mesmo asco. Posso parecer fresca e um tanto antiquada em achar o carnaval a data mais fútil do ano, a qual as pessoas esquecem suas limitações, se rendem aos prazeres da carne, etc e tal.

A verdade é que tudo que eu não tolero há nessas festas: gente bêbada, gente volúvel e vulnerável, ausência de limites. Muita coisa desnecessária acontece, mas esse post não é sobre filosofias do comportamento humano no carnaval brasileiro.

O fato é que me sinto velha nessa época do ano. Todos viajam, menos eu. Deve ser porque eu gosto de evitar aquela baderna que pouco me importa. Não sou do tipo antisocial ou tão pouco corrosiva ao tumquixiquitum, mas eu realmente me torno uma mulher pouco simpática diante das coisas que citei acima.

Geralmente nessa época eu fico em casa e com pouco dinheiro. Assisto inúmeros filmes (números expressivos que jamais pensei em alcançar), penso demais nas coisas que não deve, me inspiro absurdamente, escrevo horrores e quando acaba, vejo que eu poderia ter estudado mais, por exemplo.

Nesse último ano de faculdade as coisas estão se atroncando. Se é que essa palavra existe. Coloco em escala de prioridades as responsabilidades mais importantes e acabo sempre seguindo a lista por ordem inversa.

Ao invés de ler o livro indicado para meu TCC, eu fico torcendo para algum e-mail chegar e eu ter que respondê-lo. Mas esqueço que todos viajaram e só eu fiquei aqui. Quem se lembrará da existência da internet uma hora dessas?

Torço para que chova, para que meu ex-namorado volte da cor de escritório da praia que ele foi ‘se divertir’ , só para ter o gosto de saber que não foi tão bom como deveria ser.

Torço para chegar quarta de cinzas logo, assim todos voltam ao normal, o mundo volta a funcionar e o Prison Break volte a ser transmitido.

E de tanto torcer, não faço nada do que deveria ser feito ou que programei.

Mas o que mais me ‘anima’ (na versão mais cínica possivel) é saber que, o mundo voltando ao normal pós carnaval, as consequencias do que eu fiz por impulso ou simplesmente deixei de fazer virá a tona. E uma bola de neve vai se formar bem diante do meu nariz. Vindo bem na minha direção.

Enquanto isso, escrevo no PHD os mais inspirados textos da minha vida…Solta o som do Beirut que a música é propícia…




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